]CANA-DE-AÇUCAR NA SECA PARA BOVINOS

Com a crescente necessidade de produzir alimento, e o crescimento das pesquisas, o produtor necessita de buscar alternativas para diminuir o tempo de produção, isso, com baixo custo de produção.
No período da seca, onde à redução da forrageira das pastagens, existe a necessidade de suprir a nutrição dos bovinos de forma balanceada para manter os ganhos de peso. Para isso é preciso aumentar a produção a oferta de forragens e buscar a suplementação mineral com produtos de qualidade.

Dentre as forrageiras que oferecem melhor desempenho nesta época do ano, a cana-de-açúcar destaca-se, por alguns aspectos:

> Capacidade de manutenção do potencial energético durante todo o período seco;

> Alta produção de matéria seca (até 120 t/há de cana integral, podendo varia de 60-120 t);

> É perene ( renovação necessária somente a partir do 4º ano);

> Mantém valor nutritivo por períodos longos após a maturação;

> É de relativo baixo custo de produção;

> É bem aceita e consumida pelos animais (cerca de 6% do peso vivo de matéria fresca/dia).

A cana é, porém,  pobre em proteína bruta (2 a 3% na matéria seca). Por isso, é necessária a incorporação de uma fonte de proteína á massa picada, no momento de fornecimento aos animais. O mais comum é a adição de uréia, associada a uma fonte de enxofre, e dependendo dos ganhos esperados, de uma fonte de proteína natural.

Outras limitações são os baixos conteúdos de enxofre, fósforo, zinco e manganês e a baixa digestibilidade da fibra.

* Nessas condições, o uso isolado da cana-de-açúcar não é capaz de atender nem mesmo às necessidades de mantença do animal. Entretanto, o seu uso, associado com uma fonte protéica, tal como a uréia + sulfato de amônio, pode resultar em ganhos de até 300 g/cab./dia. A mistura recomendada é de 90% de uréia e 10% de sulfato de amônio e aplicada na base de 1 kg para cada 100 kg de cana fresca picada, isto após a fase de adaptação de uma semana. Na fase de adaptação, usar apenas 0,5 kg da mistura para os mesmos 100 kg de cana picada. A mistura uréia + sulfato de amônio pode ser preparada e guardada. A aplicação da mesma sobre a cana é feita da seguinte forma:

· para cada 100 kg de massa de cana picada, já distribuída no cocho ou no campo, aplicar a mistura uréia + sulfato de amônio diluída em 3-4 litros de água, com a ajuda de um regador. Essa distribuição deve ser a mais uniforme possível;

· para ganhos na faixa de 500 g/cab./dia, há necessidade de se acrescentar à cana tratada, concentrados protéicos de origem vegetal. 
Neste sentido, o uso diário de 600g por animal de farelo de arroz integral tem mostrado desempenhos satisfatórios;

· para animais em confinamento, com ganhos entre 600 e 700 g/cab./dia, há a necessidade do uso de misturas protéicas/energéticas (por exemplo, 80% de milho e 20% de farelo de soja), fornecidas na base de até 2,5 kg por animal/dia. Neste caso, atenção especial é necessária em termos de retorno econômico, visto a baixa conversão alimentar normalmente obtida quando se usa cana. Talvez esta forma deva ser usada apenas como uma estratégia para explorar a alta no preço do boi ao final da entressafra, confinando animais erados com peso vivo médio acima de 400 kg.

*Fonte: Embrapa-CNPGC
Com a adição de 1 kg de uréia para casa 100 kg de cana-de-açúcar(peso fresco). O teor de proteína bruta na forragem é aumentado de 2 - 3% para 10-12% na MS. Porém, a utilização inadequada pode levar à intoxicação, e a perda dos animais.

Dependendo da disponibilidade e do preço, o sulfato de amônio pode ser substituído pelo sulfato de cálcio(gesso agrícola) com 22% de S, como fonte de enxofre, na proporção de 8:2.

Portanto, a cana-de-açucar é uma boa opção de volumoso na época da seca, evitando que os animais percam peso, mas, ao contrário, continuem com ganho de peso na entressafra.


         Rui Carlos Rieger
                      CREA MS5056 D